Balanced scorecard Capa

Balanced Scorecard (BSC) é um modelo de gestão estratégica bastante conhecido que traz diferentes perspectivas para o planejamento além da visão financeira. Mas como adequar este modelo tradicional aos dias de hoje? 

Tradicionalmente as empresas sempre mediam seu desempenho a partir de indicadores puramente financeiros que vinham da conhecida contabilidade. Esses indicadores incluem, por exemplo:

  • Fluxo de caixa
  • Rentabilidade
  • Lucratividade
  • Custos
  • EBITDA
  • VPL
Balanced Scorecard Financeiro

De fato, esses são indicadores importantes que todo empreendedor e gestor deve conhecer. Porém todos eles estão dentro de uma perspectiva financeira e focar somente neles é um erro que muitas empresas cometem até hoje. 

O excesso de foco somente em resultados financeiros pode gerar uma visão somente de curto prazo em detrimento da criação de uma vantagem competitiva mais duradoura em uma economia que se torna mais competitiva e incerta a cada ano. 

O que é Balanced Scorecard (BSC)?

O Balanced scorecard, ou BSC, é uma das mais tradicionais ferramentas de planejamento estratégico que existe. 

Uma possível tradução para “scorecard” seria “cartão para registro de resultado”. O termo “balanced” traz o sentido de balanceamento ou equilíbrio entre diferentes perspectivas além da financeira, como veremos a seguir. 

Certamente uma das grandes contribuições do BSC é o fato de ele possibilitar uma correlação entre resultados financeiros e opções estratégicas não financeiras que tragam resultados econômicos no futuro.

Como surgiu o BSC

Com o tempo, gerenciar a empresa somente com indicadores financeiros passou a ser um problema. É como se você estivesse dirigindo uma carreta em uma serra, olhando somente no retrovisor. Ou seja, estou medindo apenas o que já passou, com base em uma única perspectiva.

Com o objetivo de criar uma forma de avaliação de desempenho do negócio, Kaplan e Norton conceberam o Balanced scorecard (BSC).

De fato o BSC chegou como uma alternativa mais abrangente para o gerenciamento de estratégia porque se baseou na compreensão compartilhada de como as pessoas, sistemas e processos de negócios atuavam juntos para gerar valor para os clientes e para gerar resultados financeiros para os acionistas.

Desenvolvido em 1992 pelos professores da Harvard Business School (HBS) Robert Kaplan e David Norton, o Balanced scorecard se tornou mais conhecido nos anos 90 com a publicação do livro “The Balanced Scorecard: Translating Strategy into Action”. 

Quais são as 4 perspectivas do Balanced Scorecard?

O framework do BSC sugere 4 perspectivas de planejamento, conforme a imagem a seguir: 

  1. Financeira
  2. Cliente
  3. Processos internos
  4. Crescimento e aprendizagem
Balanced Scorecard Perspectivas

Kaplan e Norton acreditam que essas 4 perspectivas são suficientes e atendem a maioria das organizações. 

Perspectiva financeira

Em primeiro lugar temos a perspectiva financeira, a qual define o que os stakeholders financeiros (acionistas, por exemplo) esperam ou necessitam. 

Nesta perspectiva, define-se como a estratégia irá contribuir para a melhoria dos resultados financeiros e frequentemente contém objetivos e metas relacionados a valor para os acionistas, receita e lucratividade.

Perspectiva do cliente

A segunda perspectiva é a do cliente. Ela vai identificar o mercado e o segmento que a empresa quer competir. Através dela fica claro que são os nossos clientes alvo, quais as suas expectativas e qual é a nossa proposta de valor ao servir os clientes.

Aqui é comum encontrarmos indicadores que dizem respeito à qualidade, atendimento, custos, segurança, fidelidade, retenção, entre outros.

 Perspectiva de processos internos

Em terceiro lugar, temos a perspectiva de processos internos. Aqui identificamos os processos mais críticos para o negócio, os quais a empresa precisa alcançar excelência. São os processos que mais irão contribuir para alcançar os objetivos das perspectivas anteriores (cliente e financeira).

Nesta perspectiva, a empresa analisa sua sua cadeia de valor e busca melhorias de eficiência de processos (ex.: operações, pós-venda, etc.) ou até mesmo elaborar novos processos. 

Perspectiva de aprendizado e crescimento

A quarta perspectiva é a perspectiva do aprendizado e crescimento. Em geral esta é a perspectiva mais ignorada por quem adota o BSC.

Aqui define-se quais serão os “habilitadores” para atingir os resultados definidos nas demais perspectivas. Isso inclui investimento em pessoas e treinamentos, por exemplo.

Objetivos e metas relacionados à satisfação dos colaboradores, aprimoramento das lideranças, turnover, produtividade, capacitação, clima, infra-estrutura tecnológica, entre outros, são comuns nesta perspectiva.

O mapa estratégico

Por certo, uma das principais ferramentas do BSC é o mapa estratégico. Trata-se de um modelo visual e multicausal (define relações de causa e efeito) para visualizar e comunicar como a realização de um conjunto de objetivos apoiará a estratégia e a visão da organização. 

A seguir um exemplo de um mapa estratégico contendo as 4 perspectivas e objetivos em cada uma delas:

Balanced scorecard Mapa estratégico

Imagem: strategymapexample.com

Termos-chave do Balanced Scorecard

Dentro do “jargão” do Balanced scorecard, encontramos alguns termos-chave tais como:

  • Objetivos - definem o que queremos, onde queremos chegar
  • Indicadores - definem como iremos medir os objetivos
  • Mensuração - o ato de medir com frequência os indicadores
  • Metas - o alvo definido para um dado indicador
  • Iniciativas estratégicas - projetos, programas ou atividades a serem feitas para ajudar a atingir os objetivos.

Quais as vantagens do Balanced Scorecard?

Quando perguntamos para executivos e gestores quais as vantagens que eles enxergam no BSC, em geral escutamos as seguintes respostas: 

  • Ajuda no alinhamento estratégico da organização, gerando mais sinergia
  • Conexão entre estratégia e tático
  • Alinhamento dos indivíduos à estratégia da empresa
  • Permite uma melhor visualização do futuro
  • Ajuda a coloca em prática planos de ação
  • Permite melhor monitoramento, medição e direcionamento de ações
  • Alinhamento de indicadores-chave com os objetivos estratégicos da organização
  • Estimula uma cultura de aprendizado

Quais os problemas do Balanced scorecards

Apesar de o BSC ter trazido uma estrutura para ajudar a traçar relações de causa e efeito na gestão da estratégia, por outro lado essa mentalidade multicausal tornou o uso do BSC muito limitado para organizações que estão em ambientes mais complexos ou em setores de rápida evolução.

Certamente você pode imaginar o que aconteceu com todo o planejamento de 4 perspectivas que as empresas fizeram quando tivemos a pandemia do coronavírus? Pois é… Em um mundo de constantes mudanças, o BSC pode ser algo muito dolorido para as organizações.

Para organizações grandes, complicadas e altamente estáveis, o BSC pode gerar muito valor ao trazer alinhamento. Mas ele será uma dor diante de desafios mais complexos e momentos mais incertos. 

A quantidade de objetivos e metas, além da tradicional longa lista de projetos que surgem no tradicional planejamento estratégico com BSC pode ser algo muito frustrante para os executivos e gestores em momentos de incerteza e necessidade de mudança e adaptação.

O problema é que muitos gestores supõe que o BSC deve mapear todo um horizonte de planejamento de três a cinco anos, incluindo todas as ações possíveis, já que “precisam” se comprometer com alguma coisa. 

É comum em conversas com gestores em escutar coisas do tipo:

“O BSC é elegante, só que se eu usar na minha empresa nós vamos passar a caminhar a passos de tartaruga. Temos que ser mais ágeis do que isso.”

O que é OKR

OKR é uma sigla em Inglês que significa “Objectives and Key Results”, ou Objetivos e Resultados Chave. Utilizado em empresas como o Google, Twitter, Airbnb e Uber, OKR é uma ferramenta simples e eficaz para definir objetivos e medir seu progresso baseado em resultados atingidos, através de foco e colaboração, ajudando a direcionar os esforços de toda a empresa para os resultados desejados de forma ágil.

OKR propõe uma revisão das premissas de negócio e estratégias de mais alto nível mais frequentemente, tipicamente a cada trimestre. 

Mais do que uma ferramenta de gestão de metas “ da moda”, OKR é uma abordagem para mobilizar toda a empresa rumo ao que mais importa para o negócio, clientes e colaboradores.

Através de OKRs, todos na empresa passam a ter clareza de quais são as prioridades (o que fazer) e como suas prioridades estão relacionadas à missão e aos objetivos da empresa (por que fazer). 

Como consequência, além de maior resultado para o negócio, o nível de satisfação e engajamento também aumenta, decorrente de maior transparência, colaboração e comunicação entre os times. 

Concluindo, se a empresa precisa de mais foco, alinhamento e agilidade, considere OKR. A maturidade das implementações de OKR está em crescimento e as empresas estão incorporando cada vez mais esta moderna ferramenta em sua agenda estratégica.

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