Em muitas organizações, a estratégia é clara no papel. Mas isso basta para o negócio ter sucesso quando a execução é frágil? Pesquisas mostram que apenas cerca de 35% dos líderes estão confiantes de que suas estratégias realmente levarão a resultados lucrativos.
Isso não é um problema de ambição ou de objetivos mal definidos. É um problema de execução. O progresso parece lento, e os objetivos de alto nível frequentemente permanecem desconectados do trabalho do dia a dia.
Os OKRs são frequentemente introduzidos para fechar essa lacuna. Eles prometem foco, alinhamento e progresso mensurável. E podem entregar tudo isso, mas apenas quando estão incorporados à forma como o trabalho realmente acontece, e não tratados como um ritual de gestão separado.
Se você já se perguntou “Temos OKRs, então por que a execução ainda parece tão confusa?”, este artigo é para você.
OKRs São Sobre Direção, Não Sobre Controle
Em sua essência, os OKRs são simples:
- Objetivos definem o que importa.
- Key Results indicam se você está se movendo na direção certa.
Mas a simplicidade pode ser enganosa.
Os OKRs ajudam você a tomar decisões, aprender mais rápido e ajustar o rumo, mesmo quando a realidade é complexa, muda rapidamente e os dados são incompletos ou imperfeitos.
Quando os OKRs falham, raramente é porque foram mal escritos. Na maioria das vezes, falham porque são tratados como um sistema de medição, e não como um mecanismo de orientação que dá direção e motiva os times.
Os OKRs dizem o que você quer alcançar. Eles não dizem automaticamente como o trabalho deve fluir para chegar lá.
E essa lacuna é importante.
A Armadilha Comum da Execução
Na prática, os OKRs costumam ser tratados como algo que fica apor cima do trabalho, e não dentro dele.
O ciclo de OKRs geralmente tem essa estrutura:
- Os OKRs são definidos no início do trimestre.
- Os times concordam com eles e seguem em frente.
- O trabalho do dia a dia continua como sempre.
- O progresso é discutido semanas depois, em uma revisão formal.
No papel, tudo parece conectado. Na realidade, a execução segue uma lógica diferente.
Os times permanecem ocupados, mas nem sempre está claro:
- Quais iniciativas realmente estão movendo um Key Result
- Se o trabalho atual ainda é relevante
- Onde as dependências estão atrasando o progresso
- Por que os resultados ficam aquém do esforço
Como resultado, os OKRs se transformam em um exercício de reporte, e não em um guia para as decisões diárias.
Quando isso acontece, o problema central é a ausência de uma conexão clara e contínua entre a intenção estratégica e a execução cotidiana.
De OKRs à Execução: O Que Precisa Existir Entre Um e Outro
Os OKRs definem os resultados. A execução é o caminho para chegar até eles.
Para conectar os dois, as organizações precisam de algo intermediário: uma forma de ligar a intenção estratégica ao trabalho diário de maneira contínua e visível.
Essa conexão geralmente inclui:
- Iniciativas estratégicas explicitamente ligadas aos Key Results
- Responsabilidades claras entre os times
- Visibilidade sobre dependências e gargalos
- Ciclos de feedback baseados no progresso real, não apenas em scores
- Foco no fluxo de trabalho, e não apenas na conclusão de tarefas
Sem essa camada, os OKRs permanecem como objetivos abstratos. Com ela, passam a moldar a forma como o trabalho realmente acontece.
Um Guia Prático para Executar a Estratégia com OKRs (Sem Complicar Demais)
Os OKRs se tornam realmente úteis quando não são apenas definidos, mas tornados visíveis, conectados e acionáveis. A execução da estratégia melhora quando todos conseguem enxergar como os objetivos de alto nível se traduzem em trabalho concreto -e como esse trabalho evolui ao longo do tempo.
Para ilustrar como isso funciona na prática, veja um exemplo de como as organizações costumam apoiar a execução baseada em OKRs usando uma ferramenta moderna de gestão de portfólio, como o Businessmap.
Passo 1: Comece pela Estratégia; Torne-a Visível
A execução começa pela visibilidade.
Quando a estratégia vive apenas em apresentações ou documentos, ela se torna estática e distante das decisões diárias. Os times acabam trabalhando de forma isolada, com base em contexto parcial e suposições.
Uma abordagem mais eficaz é criar um espaço visual compartilhado onde as prioridades estratégicas fiquem visíveis. Quadros digitais e canvas estratégicos são comumente usados para:
Comunicar a direção estratégica com clareza
Mostrar como os objetivos se relacionam entre si
Criar um entendimento compartilhado de prioridades entre os times

Visualização dos objetivos estratégicos e sua relação com o trabalho em diferentes níveis organizacionais no Smart Canvas do Businessmap.
Isso transforma a estratégia em algo com que as pessoas podem trabalhar e não apenas ler. A visibilidade cria alinhamento antes mesmo da execução começar.
Passo 2: Quebre a Estratégia em Objetivos Acionáveis
A estratégia de alto nível só se transforma em progresso quando é traduzida desdobrada em objetivos claros, orientados a resultados.
É aqui que os OKRs desempenham um papel central.
Em vez de tratar os OKRs como uma ferramenta de reporte, use-os para:
- Traduzir prioridades estratégicas em resultados
- Clarificar responsabilidades
- Criar uma ligação lógica entre objetivos e execução

Criação de resultados em um Canvas no Businessmap
Passo 3: Distribua as Iniciativas Estratégicas Entre os Times
Este passo ajuda a evitar um erro comum: pular diretamente dos OKRs organizacionais para o gerenciamento das tarefas diárias.
As iniciativas estratégicas atuam como a ponte entre a intenção e a execução.
Usando quadros de gestão visual, os times podem mapear seus OKRs e desdobrá-los em iniciativas e atividades do dia a dia. Ao tornar essa conexão explícita, reduz-se o risco de investir tempo e esforço em trabalhos que parecem produtivos, mas não geram impacto relevante nos resultados.

Visualização de OKRs em nível de time e itens de trabalho individuais em um quadro Kanban no Businessmap
Passo 4: Priorize as Dependências Entre Times
A maioria das iniciativas estratégicas atravessa vários times. A execução sofre quando essas dependências permanecem ocultas.
Quando os times não conseguem ver como seu trabalho afeta os outros, os problemas tendem a surgir tarde demais, muitas vezes quando os Key Results já estão em risco.
Visualizar iniciativas e dependências ajuda os times a:
- Coordenar o trabalho entre áreas
- Identificar riscos mais cedo
- Ajustar sequenciamento e prioridades de forma proativa
Em ferramentas como o Businessmap, quadros conectados e um canvas compartilhado reúnem iniciativas e trabalho dos times em uma única visão. Isso permite enxergar:
- Onde existem dependências
- Como atrasos em uma área impactam as demais
- Quais iniciativas estão avançando e quais estão bloqueadas
Esse nível de transparência apoia a colaboração sem adicionar burocracia desnecessária.
Passo 5: Gerencie o Trabalho Diário com Foco em Fluxo
A execução geralmente não falha no nível da estratégia. Ela falha no dia a dia.
Quando as iniciativas estão em andamento, a atenção precisa mudar do planejamento para o fluxo:
- Como o trabalho se move
- Onde ele desacelera
- Onde há trabalho demais acontecendo ao mesmo tempo
Ao gerenciar tarefas diárias de forma visual, os times conseguem:
- Limitar o trabalho em progresso
- Identificar gargalos
- Reduzir tempo de espera
- Melhorar a previsibilidade
Isso cria uma conexão mais forte entre decisões diárias e resultados estratégicos.
Passo 6: Use Dados de Execução para Informar as Revisões de OKRs
As revisões de OKRs são muito mais eficazes quando se baseiam no que realmente está acontecendo na execução.
Em vez de depender apenas de atualizações de status, os times podem usar dashboards e análises para entender:
- Quais iniciativas estão avançando
- Onde riscos estão surgindo
- Como o desempenho do trabalho afeta os resultados estratégicos

Os dados de execução se tornam evidência, não para controlar os times, mas para apoiar aprendizado e ajustes.
Quando os check-ins de OKRs são fundamentados em sinais reais do trabalho, eles deixam de ser explicações e passam a gerar decisões: o que continuar, o que parar e o que precisa mudar.
Considerações Finais: Esta Não É Uma Disciplina Apenas para Executivos
A execução da estratégia costuma ser vista como uma responsabilidade da alta gestão. Na prática, ela envolve todos.
Em qualquer nível, o desafio é o mesmo: conectar decisões diárias à intenção estratégica.
Os OKRs funcionam melhor quando não são “propriedade” apenas de executivos, mas compreendidos e utilizados em toda a organização.
Ao tornar a estratégia visível, conectar OKRs ao trabalho real e gerenciar a execução por meio do fluxo, os OKRs deixam de ser um framework abstrato. Eles se tornam uma ferramenta prática para orientar decisões.
A execução da estratégia melhora não quando os OKRs são medidos com mais precisão, mas quando são usados de forma mais intencional, todos os dias.

Nikolay Tsonev
Nikolay é líder de marketing estratégico e especialista da Businessmap, com foco em OKRs, execução de estratégias e gestão Lean. Apaixonado por melhoria contínua, ele é autor de diversos materiais sobre gestão moderna. Como profissional certificado pelo PMI e SAFe Agilist, Nikolay compartilha frequentemente suas ideias em conferências Lean/Agile e fóruns de gestão.



