O que é o mundo VUCA e como ele afeta sua empresa

Você sabe o que significa o mundo VUCA e como ele pode afetar a sua empresa? Veremos neste artigo o que significa este acrônimo VUCA e porque essas quatro letras representam tão bem o atuam ambiente em que vivemos.

A taxa de mudanças no mundo atual

Anos atrás, a velocidade de mudança no mercado era infinitamente menor que a atual. Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group, demoramos 49 anos para atingir um bilhão de usuários de televisores em todo o mundo.

Sabe quantos anos demoramos para atingir um bilhão de usuários de smartphone? Apenas oito.

Até um passado recente, eram as empresas que definiam como o mercado se comportaria e qual deveria ser o grau de inovação. O poder de escolha estava ao lado das organizações, mas o cenário mudou e a era industrial ficou para trás.

Estamos vivendo um momento muito especial da história: entramos na nova economia, liderada pelos trabalhadores do conhecimento. É a era da disrupção contínua, em que modelos de negócio completamente inovadores surgem a todo o momento, substituindo modelos anteriores considerados estáveis até então.

Trabalhadores do conhecimento: profissionais cujo principal capital é o conhecimento. Exemplos: desenvolvedores de software, arquitetos, engenheiros, cientistas, design thinkers, advogados, entre outros, cuja linha mestre de trabalho requer pensar.

Temos o clássico exemplo do Whatsapp, presente hoje em bilhões de dispositivos móveis, que gera um prejuízo de bilhões de dólares para o segmento de SMS das empresas de telefonia.

O Uber e o Airbnb são outros exemplos bastante conhecidos de empresas frequentemente citadas em palestras de inovação, por terem gerado rápida transformação nos mercados de transporte de passageiros e de hospedagem, com aceitação altamente positiva do público.

O poder de escolha mudou de lado e está nas mãos do consumidor, o qual possui uma quantidade de opções de consumo cada vez maior. A velocidade de mudança no mercado atual é gigantesca.

Hoje, devido ao efeito rede, o sucesso de um novo produto pode chegar aos ouvidos de bilhões de pessoas em poucos dias, como também pode destruí-lo rapidamente com o poder da internet e das redes sociais.

O mundo VUCA

O mundo está mudando cada vez mais rápido. Existe um adjetivo que vem sendo cada vez mais usado para descrever esse novo mundo: VUCA.

No início da década de 1990, a Universidade do Exército Norte-Americano (United States Army War College) introduziu um conceito que descreve bem o mundo atual em que vivemos.

Trata-se do acrônimo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo, do inglês volatile, uncertain, complex, ambiguous), conforme descrito na figura abaixo:

VUCA
Fonte: elaborado pelo autor – Thomaz Ribas

Esse conceito nasceu após o término da guerra fria, representando as características do mundo multilateral que emergia naquela época, e ficou ainda mais presente após a crise financeira de 2008 e 2009.

Hoje manifesta-se de forma intensa no mundo dos negócios e dos projetos, pois descreve um ambiente caracterizado por ter exatamente essas quatro características, descritas a seguir.

Volátil

A velocidade das mudanças no ambiente atual é brutalmente alta. Desafios e novidades emergem a todo o momento. Quando menos esperamos, surge um novo modelo de negócio no mercado, uma nova oportunidade ou um novo concorrente que nos obriga a sermos mais ágeis e flexíveis o suficiente para não perdermos competitividade.

Incerto

O ritmo acelerado do mundo atual, proveniente da volatilidade, gera também uma incerteza muito grande sobre o futuro. Torna-se cada vez mais difícil avaliar as ameaças e os desafios nas organizações. Ferramentas tradicionais de gestão estratégica (concebidas no século passado) já não funcionam mais.

Em um mundo incerto é preciso ter flexibilidade para absorver mudanças. Planos detalhados são necessários em alguns casos, mas em muitos outros não. Como dizia Eisenhover, o 34º presidente americano: “Nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo (…).

É preciso lutar contra o inimigo, e não contra o plano”. Planos e tomada de decisões cada vez mais curtos e frequentes têm gerado mais resultado, pois ajudam a conviver com a incerteza.

Complexo

Em um ambiente complexo é preciso pensar de forma não linear, uma vez que não é trivial identificarmos uma relação direta entre causa e efeito. Eventos não relacionados entre si afetam os resultados a todo o momento.

Não podemos querer adotar soluções pré-definidas para os problemas, apenas baseados em experiência adquirida e feeling. É preciso divergir com relação às possíveis soluções, testar e aprender rapidamente. Uma das maiores habilidades dos líderes passa a ser a gestão do risco para permitir erros e aprender rapidamente com eles.

Ambíguo

Em um mundo altamente diversificado e ambíguo, é preciso avaliar as oportunidades e desafios sob diferentes aspectos. Está cada vez mais difícil alcançar precisão nos modelos de negócio e planejamento de projetos, pois há sempre múltiplas estratégias possíveis de implementação.

Ambiguidade gera ineficiência, perda de oportunidades, conflitos, insegurança e incapacidade de compreender algumas ameaças a tempo para reagir. Para enfrentar a ambiguidade, é preciso atuar com clareza de propósito e objetivo, além de colaboração e divergência de ideias para chegar às melhores soluções. É preciso adquirir habilidades para aprender o novo.

O futurista Alvin Toffler disse: “O analfabeto do século 21 não será aquele que não lê ou escreve, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”.

Flexibilidade para ter sucesso no VUCA

Nesse mundo VUCA, o futuro não é mais previsível como anos atrás e, para encará-lo, é necessário muitas vezes mudar as abordagens de gestão que adotamos nas empresas. Para enfrentar a nova economia, a taxa de evolução e adaptação interna nas empresas deve acompanhar a taxa de mudanças do mercado.

É preciso um modelo que perceba e reaja rapidamente às mudanças e não fique refém de antigos processos e “melhores práticas” enraizadas na cultura da empresa.

Um modelo que permita às empresas e às equipes ter espaço para experimentar e errar, de modo que aprendam rapidamente com seus erros para poderem ajustar, crescer e criar produtos e serviços de maneira eficaz.

Eficiência, a palavra de ordem na velha economia da revolução industrial, deixou de ser a única coisa a ser conquistada. Agora, mais que eficiência (fazer bem feito, fazer mais com menos), é preciso buscar eficácia, ou seja, fazer a coisa certa, no momento certo, para as pessoas certas.

É preciso foco em buscar soluções criativas para problemas complexos. Foco no entendimento da necessidade dos clientes, na experiência gerada para ele e na interação entre as pessoas.

Bem-vindo ao mundo VUCA.

Thomaz Ribas.

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