Mundo VUCA

Mundo VUCA é um termo que até pouco tempo atrás era frequente em palestras sobre inovação. Leia neste artigo o que é o mundo VUCA e como repensar a gestão para navegar com sucesso nesta nova era.

Anos atrás, a velocidade de mudança no mercado era infinitamente menor que a atual. Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group, demoramos 49 anos para atingir um bilhão de usuários de televisores em todo o mundo. Sabe quantos anos levou para atingir um bilhão de usuários de smartphone? Apenas oito. 

Até um passado recente, eram as empresas que definiam como o mercado se comportaria e qual deveria ser o grau de inovação. O poder de escolha estava ao lado das organizações, mas o cenário mudou e a era industrial ficou para trás. 

Estamos vivendo um momento muito especial da história - novas economias surgem e até uma pandemia chega para transformar a forma como vivemos e trabalhamos.

É uma era de disrupção contínua, em que modelos de negócio completamente inovadores surgem a todo o momento, substituindo modelos anteriores considerados estáveis até então. 

Por exemplo, temos o clássico caso do Whatsapp, presente hoje em bilhões de dispositivos móveis, que gera um prejuízo de bilhões de dólares para o segmento de SMS das empresas de telefonia. O Uber e o Airbnb são outros exemplos bastante conhecidos de empresas frequentemente citadas em palestras de inovação.

Portanto, o poder de escolha mudou de lado e está nas mãos do consumidor, o qual possui uma quantidade de opções de consumo cada vez maior. A velocidade de mudança no mercado atual é gigantesca.

Hoje, devido ao efeito rede, o sucesso de um novo produto pode chegar aos ouvidos de bilhões de pessoas em poucos dias, como também pode destruí-lo rapidamente com o poder da internet e das redes sociais. 

O que é mundo VUCA

O mundo está mudando cada vez mais rápido. Existe um adjetivo que vem sendo cada vez mais usado para descrever esse novo mundo: VUCA.

No início da década de 1990, a Universidade do Exército Norte-Americano (United States Army War College) introduziu um conceito que descreve bem o mundo atual em que vivemos. Trata-se do acrônimo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo, do inglês volatile, uncertain, complex, ambiguous). 

Esse conceito nasceu após o término da guerra fria, representando as características do mundo multilateral que emergia naquela época, e ficou ainda mais presente após a crise financeira de 2008 e 2009.

Hoje manifesta-se de forma intensa no mundo dos negócios e dos projetos, pois descreve um ambiente caracterizado por ter exatamente essas quatro características, descritas a seguir.

Volátil

A velocidade das mudanças no ambiente atual é brutalmente alta. Desafios e novidades emergem a todo o momento.

Quando menos esperamos, surge um novo modelo de negócio no mercado, uma nova oportunidade ou um novo concorrente que nos obriga a sermos mais ágeis e flexíveis o suficiente para não perdermos competitividade. 

Incerto

O ritmo acelerado do mundo atual, proveniente da volatilidade, gera também uma incerteza muito grande sobre o futuro. Torna-se cada vez mais difícil avaliar as ameaças e os desafios nas organizações.

Ferramentas tradicionais de gestão estratégica (concebidas no século passado) já não funcionam mais. Em um mundo incerto é preciso ter flexibilidade para absorver mudanças. Planos detalhados são necessários em alguns casos, mas em muitos outros não.

Como dizia Dwight D. Eisenhower, o 34º presidente americano: “Nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo (...). É preciso lutar contra o inimigo, e não contra o plano”.

Planos e tomada de decisões cada vez mais curtos e frequentes têm gerado mais resultado, pois ajudam a conviver com a incerteza.

Dwight Eisenhower

Dwight D. Eisenhower

"Nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo (...). É preciso lutar contra o inimigo, e não contra o plano."

Complexo

Em um ambiente complexo é preciso pensar de forma não linear, uma vez que não é trivial identificarmos uma relação direta entre causa e efeito.

Eventos não relacionados entre si afetam os resultados a todo o momento. Portanto, não podemos querer adotar soluções pré-definidas para os problemas, apenas baseados em experiência adquirida e "feeling".

É preciso divergir com relação às possíveis soluções, testar e aprender rapidamente. Uma das maiores habilidades dos líderes passa a ser a gestão do risco para permitir erros e aprender rapidamente com eles.

Ambíguo

Em um mundo altamente diversificado e ambíguo, é preciso avaliar as oportunidades e desafios sob diferentes aspectos. Está cada vez mais difícil alcançar precisão nos modelos de negócio e planejamento de projetos, pois há sempre múltiplas estratégias possíveis de implementação.

Ambiguidade gera ineficiência, perda de oportunidades, conflitos, insegurança e incapacidade de compreender algumas ameaças a tempo para reagir.

Para enfrentar a ambiguidade, é preciso atuar com clareza de propósito e objetivo, além de colaboração e divergência de ideias para chegar às melhores soluções.

É preciso adquirir habilidades para aprender o novo. O futurista Alvin Toffler disse: 

“O analfabeto do século 21 não será aquele que não lê ou escreve, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”. 

Repensando gestão e liderança no mundo VUCA

Nesse mundo VUCA, o futuro não é mais previsível como anos atrás e, para encará-lo, é necessário muitas vezes mudar as abordagens de gestão que adotamos nas empresas. Para enfrentar a nova economia, a taxa de evolução e adaptação interna nas empresas deve acompanhar a taxa de mudanças do mercado. 

É preciso um modelo que perceba e reaja rapidamente às mudanças e não fique refém de antigos processos e “melhores práticas” enraizadas na cultura da empresa.

Um modelo que permita às empresas e às equipes ter espaço para experimentar e errar, de modo que aprendam rapidamente com seus erros para poderem ajustar, crescer e criar produtos e serviços de maneira eficaz. 

Eficiência, a palavra de ordem na velha economia da revolução industrial, deixou de ser a única coisa a ser conquistada. Agora, mais que eficiência (fazer bem feito, fazer mais com menos), é preciso buscar eficácia, ou seja, fazer a coisa certa, no momento certo, para as pessoas certas.

É preciso foco em buscar soluções criativas para problemas complexos. Foco no entendimento da necessidade dos clientes, na experiência gerada para ele e na interação entre as pessoas.

Modelos como o tradicional planejamento estratégico, Total Quality Management (TQM), Total Productivity Management (TPM), Business Process Reengineering que focam em sua essência na melhoria linear do que já existe e na obtenção de previsibilidade do futuro, precisarão ser re-pensados.


A natureza humana em busca de certezas

Nós, humanos, almejamos a certeza e é por isso que mudanças constantes no ambiente nos deixam muitas vezes desconcertados.

Em meio a tanta incerteza e complexidade, muitos líderes tem dificuldade em exercitar a leitura do seu ambiente e a percepção de situações complexas. Eles ainda acreditam que uma estratégia preditiva e prescritiva é a única abordagem possível. A capacidade de resposta não faz parte de seu vocabulário, pois estão apegados à ferramentas baseadas em previsão, comando e controle.

Então qual é uma forma diferente de pensar estratégia?

Muito prazer, OKR

OKR (Objectives and Key Results) é uma ferramenta concebida pela Intel Corp na década de 1970 por seu lendário CEO Andy Grove.

Após seu sucesso na Intel, esta ferramenta ágil de gestão foi adotada por empresas como Oracle, Google, Spotify e Microsoft. Atualmente a adoção de OKR vem crescendo fortemente, não somente em empresas de inovação e tecnologia, mas também em diferentes setores incluindo governo.

Quer saber mais sobre OKR? Confira o meu mini-curso gratuito de OKR abaixo.

Concluindo, estamos em uma era na qual é preciso repensar a forma como fazemos gestão. O mundo VUCA está nos obrigando a fazer isso.

Muitas vezes o futuro estará meio embaçado, assim como na imagem deste post. Somente iremos enxergar o possível para caminhar alguns pouco quilômetros e precisaremos mudar o modelo mental de excesso de análise para agir e aprender e agir de forma eficaz durante a caminhada.

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